sábado, 17 de julho de 2010

A subconsciente Psicose dos Sonhos

Ultimamente tenho falado muito sobre não saber o que sinto. Não saber sentir, não possuir sentimentos que sejam realmente meus. Que não sejam mais do que uma simulação muito próxima do real.
Dá pra notar nisso uma nescessidade de afirmação. Uma negação que tenta provocar uma reação um sinal de "hei! estou aqui!!!".. uma nescecidade de afastamento, de um efeito anterior à causa.

E tenho visto isso em mais pessoas. Os discursos e ações variam muito, mas a mensagem é sempre a mesma.

Cavalos. Sentimentos são muitas vezes associados com cavalos. São vigorosos, cheios de ímpeto, selvagens, domesticáveis, úteis e belos.
Não sei daonde veio, creio que da Índia, a idéia de que nosso corpo é a carruagem que leva nossa mente, e os sentimentos são como cavalos. E nós devemos guiá-los, para que eles nos levem aonde devemos ou queremos ir. E se deixarmos eles sem o devido arreio, eles nos fazem desviar do caminho, eles se perdem, nós nos perdemos. Ou qualquer coisa assim, que seja.

Em um livro, um autor cria um personagem que acredita que estamos aqui para, assim como as pedras num tambor de ao que se chocam sem parar, nos transformarmos, através de nossos conflitos, em gemas preciosas. (ou algo mais ou menos assim)

Em outro livro, outro autor fala que, assim como os braços e pernas nos são úteis dentro do útero, da mesma forma os sentimentos nos são úteis aqui depois do útero. Nós "gestamos" nossas emoções durante nossa vida. Damos à elas aquilo do qual elas serão. (não sei aonde, mas serão algo em algum lugar)

Hà pouco tempo (evolucionariamente falando) não existia infância e adolescencia como existe hoje (pelo menos aqui no nosso universo judaico-cristão ocidental): Conseguindo trabalhar ou parir, já podia deixar de ser criança. Curiosamente, ao eliminarmos esse comportamento, ao adicionarmos uma infância, e um processo de adolescência (um periodo de amadurecimento), nós privamos outros costumes. E assim como hoje alguns podem se supreender com a forma como a qual tratavam a criança antigamente, também os antigos se horrorizariam com a forma como tratamos as nossas hoje.
Muito recentemente (evolucionariamente falando) nós passamos a obrigar nossas crianças à dormir sozinhas, contrariando o costume que existiu desde os primórdios da nossa espécie, que era o de manter todas juntas, com a presença de um adulto, para protegê-las durante a noite.

Não vou me adentrar, agora, sobre todo o questionamento que envolve essas experiências evolutivas e o reflexo de possíveis mudanças, nem apresentar todas as minhas teorias que poderiam ser aplicadas visando resultados interessantes e promissórios. Ficarei com o que me chama a atenção agora, que é o escuro.

Quando forçados a enfrentar o frio e a solidão, sozinhos, sem nenhum preparo. Pense bem: uma criança, ela ainda não aprendeu a formular palavras, ela ainda não tem idéia daonde ela termina e a fralda começa, ela REALMENTE ACREDITA que a mãe e o pai são extensões dela, ACREDITA que pode esperar qualquer comportamento de qualquer coisa, e que tudo RESPONDE E REAGE como ela acredita, e subsequentemente APRENDE a acreditar que possui controle sobre isso. Essa é a nossa criança atual, fruto de nosso esforço evolutivo.
Ela então é FORÇADA a acrditar que está privada de tudo. A noite, assim como o oceano, assim como a tempestade, é uma representação da morte. Ou como diria o poeta: "Um monstro de mil olhos"
O que ela faz? Ela desiste. Ela luta até ficar cansada. E desiste. Todo dia. Uma soma após a outra, após outra, após outra. Ela abre mão de qualquer coisa. Porque ela aprendeu a morrer a cada dia. ANTES de aprender quem ela é, ela sabe que deve desistir. Ela SABE que DEVE morrer. E que até aonde ela sabe, vai ser assim ad infitum, contínuo. É tudo o que ela sabe que precisa saber. O resto das coisas agora não diz mais nada. porque no final do dia, eles não vão estar ali, ela só vai depois.

Nós aprendemos que devemos soltar nossos cavalos. Nós aprendemos que devemos negá-los. Nós aprendemos que DEVEMOS abrir mão deles SEMPRE que possível. Mas assim como o que está embaixo é igual ao que está em cima, Deus é igual ao Diabo, e a benção vem na forma de uma maldição, essa "morte" é o fruto dourado da nossa evolução.

Nós andamos por aí, hoje, gritando por nossos cavalos. Nós APRENDEMOS a descer da carruagem, e vamos seguindo o caminho à pé. Uma vez ou outra, por medo, nós brincamos que ainda estamos na carruagem (que agora nem sabemos aonde está, desapareceu) nós brincamos que temos cavalinhos nos guiando. Às vezes por diversão fingimos que montamos na sela de um de nosso cavalos, e imaginamos que estamos galopando pela pradaria! Às vezes por tédio, ficamos enumerando suas cores, seus enfeites, seus nomes, suas idades, suas cicatrizes, seus feitos, suas façanhas, e qual era o preferido, qual era o "escolhido", qual era o rejeitado, qual era o retraído, qual era aquele como qual nód poderiamos sempre contar!
Mas hoje, agora, nós estamos em pé. Agora, nós estamos sozinhos. Agora, nós PRECISAMOS ser fortes, e é o que a gente é por pura falta de opção. Com a carruagem, nós fingiamos ter um caminho. Agora, nós TEMOS que saber (não há outra opção!) que o nosso caminho fica no meio etre um pé e o outro, e não vai além dali.

Nós não temos sentimentos. Nós somos eles.

Agora meu brinquedo quebrou. Tirei a graça dele pra mim.

Não falei coisa com coisa, não disse nada do que era esperado, disse algumas coisas pra impressionar, outras pra agradar. Fiz uma salada de idéias, e ainda assim, disse o qu é sempre dito em toda a parte. Porque não importa o meio, a forma, ou o que é dito: a mensagem é sempre a mesma.

A mensagem é sempre a mesma.

Toda a história do mundo.

Todo o universo.

Tá tudo aqui.

Tá aqui e sempre é dito.

É sempre lembrado.

Eu sempre sei.

Eu repito porque eu existo.

E só se existe através de ciclos.

Início, meio e fim

Entre eles não há nada.

O caminho não tem entrada. Você precisa atravessar a porta que não existe, e seguir o caminho que não possui trilhas.

É ser.

E ponto.