sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
American Psycho
Tudo o que tenho em comum com o incontrolável, o insano, o perverso e o maligno, toda a carnificina que causei, e minha total indiferença, eu agora ultrapassei. Minha dor é constante e aguda, e não quero um mundo melhor para ninguém. Na verdade, quero inflingir minha dor aos outros. Não quero que ninguém escape.
Mas mesmo depois de admitir isso, não há catarse.
Meu castigo continua a fugir de mim, e não obtenho conhecimento mais profundo de mim mesmo. Nada pode ser extraído do que digo.
Esta confissão não diz nada.
sábado, 17 de julho de 2010
A subconsciente Psicose dos Sonhos
Dá pra notar nisso uma nescessidade de afirmação. Uma negação que tenta provocar uma reação um sinal de "hei! estou aqui!!!".. uma nescecidade de afastamento, de um efeito anterior à causa.
E tenho visto isso em mais pessoas. Os discursos e ações variam muito, mas a mensagem é sempre a mesma.
Cavalos. Sentimentos são muitas vezes associados com cavalos. São vigorosos, cheios de ímpeto, selvagens, domesticáveis, úteis e belos.
Não sei daonde veio, creio que da Índia, a idéia de que nosso corpo é a carruagem que leva nossa mente, e os sentimentos são como cavalos. E nós devemos guiá-los, para que eles nos levem aonde devemos ou queremos ir. E se deixarmos eles sem o devido arreio, eles nos fazem desviar do caminho, eles se perdem, nós nos perdemos. Ou qualquer coisa assim, que seja.
Em um livro, um autor cria um personagem que acredita que estamos aqui para, assim como as pedras num tambor de ao que se chocam sem parar, nos transformarmos, através de nossos conflitos, em gemas preciosas. (ou algo mais ou menos assim)
Em outro livro, outro autor fala que, assim como os braços e pernas nos são úteis dentro do útero, da mesma forma os sentimentos nos são úteis aqui depois do útero. Nós "gestamos" nossas emoções durante nossa vida. Damos à elas aquilo do qual elas serão. (não sei aonde, mas serão algo em algum lugar)
Hà pouco tempo (evolucionariamente falando) não existia infância e adolescencia como existe hoje (pelo menos aqui no nosso universo judaico-cristão ocidental): Conseguindo trabalhar ou parir, já podia deixar de ser criança. Curiosamente, ao eliminarmos esse comportamento, ao adicionarmos uma infância, e um processo de adolescência (um periodo de amadurecimento), nós privamos outros costumes. E assim como hoje alguns podem se supreender com a forma como a qual tratavam a criança antigamente, também os antigos se horrorizariam com a forma como tratamos as nossas hoje.
Muito recentemente (evolucionariamente falando) nós passamos a obrigar nossas crianças à dormir sozinhas, contrariando o costume que existiu desde os primórdios da nossa espécie, que era o de manter todas juntas, com a presença de um adulto, para protegê-las durante a noite.
Não vou me adentrar, agora, sobre todo o questionamento que envolve essas experiências evolutivas e o reflexo de possíveis mudanças, nem apresentar todas as minhas teorias que poderiam ser aplicadas visando resultados interessantes e promissórios. Ficarei com o que me chama a atenção agora, que é o escuro.
Quando forçados a enfrentar o frio e a solidão, sozinhos, sem nenhum preparo. Pense bem: uma criança, ela ainda não aprendeu a formular palavras, ela ainda não tem idéia daonde ela termina e a fralda começa, ela REALMENTE ACREDITA que a mãe e o pai são extensões dela, ACREDITA que pode esperar qualquer comportamento de qualquer coisa, e que tudo RESPONDE E REAGE como ela acredita, e subsequentemente APRENDE a acreditar que possui controle sobre isso. Essa é a nossa criança atual, fruto de nosso esforço evolutivo.
Ela então é FORÇADA a acrditar que está privada de tudo. A noite, assim como o oceano, assim como a tempestade, é uma representação da morte. Ou como diria o poeta: "Um monstro de mil olhos"
O que ela faz? Ela desiste. Ela luta até ficar cansada. E desiste. Todo dia. Uma soma após a outra, após outra, após outra. Ela abre mão de qualquer coisa. Porque ela aprendeu a morrer a cada dia. ANTES de aprender quem ela é, ela sabe que deve desistir. Ela SABE que DEVE morrer. E que até aonde ela sabe, vai ser assim ad infitum, contínuo. É tudo o que ela sabe que precisa saber. O resto das coisas agora não diz mais nada. porque no final do dia, eles não vão estar ali, ela só vai depois.
Nós aprendemos que devemos soltar nossos cavalos. Nós aprendemos que devemos negá-los. Nós aprendemos que DEVEMOS abrir mão deles SEMPRE que possível. Mas assim como o que está embaixo é igual ao que está em cima, Deus é igual ao Diabo, e a benção vem na forma de uma maldição, essa "morte" é o fruto dourado da nossa evolução.
Nós andamos por aí, hoje, gritando por nossos cavalos. Nós APRENDEMOS a descer da carruagem, e vamos seguindo o caminho à pé. Uma vez ou outra, por medo, nós brincamos que ainda estamos na carruagem (que agora nem sabemos aonde está, desapareceu) nós brincamos que temos cavalinhos nos guiando. Às vezes por diversão fingimos que montamos na sela de um de nosso cavalos, e imaginamos que estamos galopando pela pradaria! Às vezes por tédio, ficamos enumerando suas cores, seus enfeites, seus nomes, suas idades, suas cicatrizes, seus feitos, suas façanhas, e qual era o preferido, qual era o "escolhido", qual era o rejeitado, qual era o retraído, qual era aquele como qual nód poderiamos sempre contar!
Mas hoje, agora, nós estamos em pé. Agora, nós estamos sozinhos. Agora, nós PRECISAMOS ser fortes, e é o que a gente é por pura falta de opção. Com a carruagem, nós fingiamos ter um caminho. Agora, nós TEMOS que saber (não há outra opção!) que o nosso caminho fica no meio etre um pé e o outro, e não vai além dali.
Nós não temos sentimentos. Nós somos eles.
Agora meu brinquedo quebrou. Tirei a graça dele pra mim.
Não falei coisa com coisa, não disse nada do que era esperado, disse algumas coisas pra impressionar, outras pra agradar. Fiz uma salada de idéias, e ainda assim, disse o qu é sempre dito em toda a parte. Porque não importa o meio, a forma, ou o que é dito: a mensagem é sempre a mesma.
A mensagem é sempre a mesma.
Toda a história do mundo.
Todo o universo.
Tá tudo aqui.
Tá aqui e sempre é dito.
É sempre lembrado.
Eu sempre sei.
Eu repito porque eu existo.
E só se existe através de ciclos.
Início, meio e fim
Entre eles não há nada.
O caminho não tem entrada. Você precisa atravessar a porta que não existe, e seguir o caminho que não possui trilhas.
É ser.
E ponto.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Ampulheta
Agora eu tenho 10 anos, e tenho o pensamento fixo numa pequena chave de plástico rosa, enquanto meu pai sabe por telefone que a mãe dele morreu. Ele senta no sofá, e olha pra tv uns 2 segundos antes de contar. O olhar dele está em lugar nenhum.
Agora eu tenho 19, e estou tentando reaprender a como se anda em pé. Estou tentando aprender a beber. Estou tentando aprender a resetar a minnnha memória. Estou aprendendo a como piorar uma situação.
Agora eu tenho 7, e estou aprendendo a encontrar os pontos cardeais. Nunca me perdi depois disso. Fui parar longe, mas perdido, perdido, não.
Agora tenho 25, e aminha cabeça fica jogando qualquer lembrança aleatória ( e eu tenho várias) na minha mente, tentando aprender a não viver o agora.
Agora tenho 25, e derrepente me dou conta que denovo eu sinto uma dor funda no peito, e denovo eu sinto frio, e denovo minha garganta fecha, e denovo eu quero chorar, e denovo eu quero quebrar algo, e mais uma vez, cada ano de minha vida se sincroniza, e essa, denovo, é aquela hora, aquela única hora, aquela hora que eu divido com todos os momentos da minha vida. Mais uma vez eu sou um só, por uma hora.
Agora eu tenho todas as minhas idades, e todas as pessoas que eu conheci tem todas as suas idades respectivas (seria um exercício engraçado começar a embaralha-las... anotarei para quando eu me sentir legal denovo) e eu vislumbro: que cada um desses seres que passaram pela minha vida, todos seguiram um caminho, e eu posso diferenciar cada época de cada um deles, por cada detalhe, e talvez até possa desenhar uma linha evolutiva.
Agora eu volto a ter 25, e não existem mais idades na minha mente. Apenas uma única imagem de cada uma dessas inumeras idades. E todas elas são as mesmas. Eu não mudei em nenhuma delas. Faço um último e desesperado esforço de mandar alguma coisa pra elas, algo que as faça sentir como eu me sinto agora, na esperança de ter uma sensação de nostalgia como confirmação de que eu consegui me dar um sinal. O cachorro late incessantemente, porque é um cachorro. E eu sei porque não obtive confirmação alguma. Porque eu lembro dessa sensação. E eu lembro de tê-la recusado.
Sinto uma imensa vontade de morrer.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Esparadrapo
É tipo quando Jesus diz sobre amar o próximo, mostrar a outra face. Sobre quando ele diz que você deve arrancar seu olho fora, caso ele seja motivo de erro, de injuria.
Quando ele diz pra largar tudo e seguir com ele. Como quando você come da carne dele.
É como o Caminho do Assassino. Você deve atacar sem atacar. Você deve estar vazio.
E como atacar sem sentir a furia do ataque? A raiva que vira destruição? Como amar a quem não se tem motivos, ou ainda apresenta motivos para justamente o contrário? Como se desapegar de seu corpo, ou sua mente? Como se desapegar de seu mundo?
Como fazer todas essas coisas sem fazê-las, mas tendo-as, sendo-as.
Existem sentimentos profundos. Mas nehum é tão profundo que ão possa ser sentido, que não possa ser compreendido, que não possa ser dominado, que não possa ser esquecido. Que não vire obsoleto.
Troca de camadas. Momento em que se desembaralham. Eu estou voltando, e não penso nisso. Não adianto isso, nem tento prever. É a minha vontade retorcendo o destino à meu favor. Meu gêmeo volta para seu lugar. Ignoro as duvidas e apontações dele, porque ele está cada vez mais fraco, e já nesse momento mal ouço a sua voz. Já quase não sinto ele. Só espero que ele herde minha desgraça e meu gelo. Espero que ele enlouquea de sofrimento. Porque existem poucas coisas que eu sinto, e poucas que me fazem bem, e eu preciso cultivá-las e valorizá-las.
O tempo começa e termina agora, e agora, e agora. E esses são os meus segundos.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
E428 - Serra para Esterno e Osso
Eu respiro fumaça preta.
Quando eu ando, o asfalto e o concreto derretem.
As plantas secam.
Os animais morrem.
O céu racha.
A terra treme.
A água seca.
O ar queima.
O espírito evanesce.
Eu odeio o cheiro de plástico queimado que sai de todas as coisas.
Eu odeio o barulho de eco gravado que elas fazem.
Eu odeio o jeito suspendido e lerdo como elas se movem.
Eu odeio as cores vazias que elas emitem.
Eu odeio o jeito como se debatem na própria escuridão, como baratas sem cabeça.
Eu odeio suas vontades e suas nescessidades, seus momentos e seus planos.
Eu odeio seus dentes e seus risos. Odeio suas lágrimas e suas razões.
Não são pessoas. São coisas. E eu odeio cada uma delas. Cada pequeno detalhe. E eu me esforço para enchergar cada pequeno detalhe, até o menor deles, quase uma presiciência. Só para odiar cada vez mais.
Meu ódio queima. E eu respiro fumaça preta.
Sua vida? Não te pertence.
Tudo o que você sente? Não é seu.
Tudo o que você pensa? Não é original. Nenhum detalhe.
Cada sentimento, cada sensação, cada visão, cada momento, cada TUDO.
É tudo meu.
Eu dei um pedaço da minha vida à vocês. Mas eu ouço agradecimento?
Eu dei meu coração à vocês. Mas alguém se lembra?
Eu emprestei minha vida à vocês. E vocês, seus vermezinhos nojentos, nunca me agradeceram. E pior. Fizeram como se fosse de vocês.
E eu odeio vocês por isso.
Se debatem fingindo não lembrar que são cegos. Fingindo não entender a sua dor (que é MINHA!) com suas lamentações vazias e arrastadas. Com suas dúvidas e seus desesperos ridículos . Suas patéticas “sabedorias”. Um bando de pobres coitados sem colhões, sem fibra e sem aço! Um bando de coisinhas covardes desperadas pela primeira forma de escapismo que conseguirem, se viciando em praticamente qualquer coisa que possa corroborar essa visãozinha distorcida que vocês tentam desesperadamente manter. Viciados em mentiras e fantasias.
Eternamente sozinhos.
Eu odeio ter que ser vocês.
Eu odeio.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Afastador Baufour Abdominal c/valvula cv 45x80
"Videmus nunc per speculum aenigmate"
"Agora vemos por espelho, na escuridão"
A princípio, só uma frase. Mas ela abarca não só um momento ou passagem de nossa vida. Não só a nossa vida e nossas outras vidas e os outros e suas vidas. Não apenas nossas filosofias, nossas crenças, nossa ciência, nossas relações, nossos sonhos ou nossos medos. Ela engloba tudo. Está no princípio de nossa visão, no exercício de nossa visão.
Vemos agora em enigma, por espelhos. Um grande quebra-cabeças de espelhos, uma máquina de espelhos móveis, que podem ou não se repetir, cuja abrangência é superior à nossa capacidade de compreender.
Somos nós um espelho, todos os outros são espelhos também. São todas as coisas. Cada grão de areia. Cada gato e cada cachorro. Cada coisa que existe reflete e é refletida por todas as outras coisas do Universo; e somam-se à essa reflexão maior todas as reflexões da mesma, e à sua própria, e já não existe a "imagem original" tampouco existe uma que seja imutável, ou que perdure um pouco mais que qualquer outra. Nada está desconectado da totalidade. Nada existe que, de forma unitária, possa atravessar a existência sem se relacionar com o todo e se modificar ao poucos, por inteiro, a cada instante.
Me atormenta saber que inverto essas imagens; de modo a escolher o que quero ver, e de fazer isso de forma depreciativa. Mentir e me convencer de que a mentira é a verdade e vice-versa.
Porque cada um desses reflexos, cada uma dessas imagens, reflete em mim uma única sensação: "Embotado".
É duro, porque isso a que chamamos sentimentos, a que chamamos emoções, são evocados pelo reflexo. Não nascemos sabendo o que é amor ou ódio ou alegria ou compaixão; descobrimos (ou despertamos) por reflexo, de forma gradual: intensa ou tênue; lenta e repetitiva ou fugaz e atordoadora. E vamos frimando esses Arquétipos de Sentimento aos poucos, em nossa enciclopédia pessoal, sempre revisitando esses arquétipos quando temos dúvidas ao julgar nossa vida. (e tudo o que se relaciona)
Dessa forma, tudo o que desperta em mim, desperta "embotado". Em todo o meu julgamento, o resultado é monótono, repititivo e tedioso. E essa marca, esse verniz cinza, essa sinistra peste se alastra, se reflete, por todo o meu ser. E tudo o que eu toco se corrompe, e tudo o que eu penso é violado. E a cada segundo, a cada hora, a cada dia, cada vez mais, eu me torno o próprio pecado. (e caso você compreenda mal, pecados NÃO são divertidos)
E não saber porque faço isso, se isso depende apenas de mim, se isso realmente pode ser mudado.. mas saber essas coisas não importa. Não é por aí. É agir e reagir. É ir consertando todas as deformações que se percebe, de forma que num dado momento, somando-se inumeráveis conversões, a luz explode de dentro, e o espelho se encontra mudado.
Então o meu reflexo ressoa por todo o espectro. E o Universo, na parte em que lhe cabe, muda também.
"Eu sempre fui eu; quer dizer, todos que disseram eu durante esse tempo - tempo que precedeu meu nascimento - não eram outros senão eu."
"Agora vemos por espelho, na escuridão; mas então veremos faces a face. Agora conheço em parte; mas então conhecerei como sou conhecido."
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Secção
“Um Homem seguro de si é um ente morto.”
“Só posso observar-me em relação, porque a vida é toda de relação.”
“Não posso existir sozinho.”
“Só existo em relação com pessoas, coisas e idéias e, estudando minha relação com as pessoas e coisas exteriores, assim como com as interiores, começo a compreender a mim mesmo. Qualquer outra forma de compreensão é mera abstração e não posso estudar-me abstratamente; não sou uma entidade abstrata; por conseguinte, tenho de estudar-me na realidade concreta – assim como sou, não como desejo ser.”
A lembrança mais antiga que eu tenho é a de estar sendo carregado no colo de alguém, deitado entre os braços que me envolviam, entrando numa sala de uma maternidade. Como provavelmente, com essa idade, eu mal enxergava dois palmos à frente do meu nariz, provavelmente ela é falsa. O que me leva à segunda na escala de tempo, quando eu tinha pouco menos de 2 anos de idade e tinha recém operado a fimose, estava no colo de alguém, com uma barra-pirulito nas mãos, vermelha com estrias espiraladas na lateral, em azul.
Só isso podia representar todo o meu passado: sem saber se é real ou não, sempre dependendo das pessoas para ficar em pé, sendo mutilado e ganhando doces de segunda categoria enquanto assistia à tudo com indiferenca.
Mas é mentira. A Barra-Pirulito era muito boa sim. Aprendi a ficar em pé, a cair, me arrastar, rastejar, levantar. Acho que só nao aprendi a voar, nunca tentei. Também não fui mutilado.
Bom, ainda não tenho certeza quanto ao “real ou não”, mas com certeza nunca fui indiferente. E “Realidade” nunca foi muito importante para mim, de qualquer forma. Acho que era branco, não azul.
Tenho me sentido sozinho ultimamente, só que é um sozinho diferente. Tipo quando você fica preso por engano dentro de uma garrafa. Descontando a parte do vidro, tudo fica um pouco diferente: o jeito como você ouve e enxerga, o jeito como ouvem e enxergam você.
Como se eu estivesse vivenciando 2 lugares no mesmo tempo (não estou mais falando da garrafa) como se de alguma forma eu estivesse dentro e fora. Como um ator de teatro que se ve na platéia, e lembra de estar se vendo no palco. Como um livro que fala de um livro que comenta de um livro que conta sobre o livro. Como se eu estivesse escrevendo minha vida enquanto ela acontece, porém não sou eu.
Azul.
Como se, de alguma forma, em algum ponto minha mente convergisse com todas as mentes do mundo, só que eu não posso acessá-las, porque eu nem sei onde está a minha.
Branco.
É sufocante essa sensação de já saber o que vai acontecer. Você não sabe, mas é como se não conseguisse se lembrar. Porque o remorso vêm em dobro. A culpa vêm em dobro. A autocompaixão atinge níveis exorbitantes, e você continua sem agir, sem fazer nada, sem falar.
Azul.
Mas é justamente a autocompaixão, aquela que se disfarca de consequência, que dá início à bagunça, na medida que esconde os instrumentos para frear o ciclo.
Branco.
Essa solidão que eu sinto ultimamente, essa solidão diferente, é porque, derrepente, eu me toquei de que algo muito errado, muito curioso, havia ocorrido. Eu percebi que sentia falta de alguém. Olhei para a platéia e não me vi. Eu havia me abandonado.
Resolvi assumir meu lugar enquanto não volto. Espero não fazer nenhuma besteira, mas, bem, essa obra é minha mesmo.
Tenho 2 funções. 2 jeitos de perceber o mundo: o de dentro e o de fora. E não dá mais para optar por um deles. Me resta apenas fazê-lo.
Tudo o que eu tenho é a vida toda pela frente.
“Porque tendes medo de ficar só? Porque vos defrontai com vós mesmo, tal como sois, e descobris que sois vazio, embotado, estúpido, repulsivo, pecador, ansioso – uma entidade insignificante, sem originalidade. Enfrentai o fato; olhai-o e não fujais dele. Tão logo começais a fugir, começa a existir o medo.”