segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Esparadrapo

O ódio só pode te levar até um lugar, depois você deve seguir sem ele. Mas com ele.

É tipo quando Jesus diz sobre amar o próximo, mostrar a outra face. Sobre quando ele diz que você deve arrancar seu olho fora, caso ele seja motivo de erro, de injuria.
Quando ele diz pra largar tudo e seguir com ele. Como quando você come da carne dele.

É como o Caminho do Assassino. Você deve atacar sem atacar. Você deve estar vazio.

E como atacar sem sentir a furia do ataque? A raiva que vira destruição? Como amar a quem não se tem motivos, ou ainda apresenta motivos para justamente o contrário? Como se desapegar de seu corpo, ou sua mente? Como se desapegar de seu mundo?
Como fazer todas essas coisas sem fazê-las, mas tendo-as, sendo-as.

Existem sentimentos profundos. Mas nehum é tão profundo que ão possa ser sentido, que não possa ser compreendido, que não possa ser dominado, que não possa ser esquecido. Que não vire obsoleto.

Troca de camadas. Momento em que se desembaralham. Eu estou voltando, e não penso nisso. Não adianto isso, nem tento prever. É a minha vontade retorcendo o destino à meu favor. Meu gêmeo volta para seu lugar. Ignoro as duvidas e apontações dele, porque ele está cada vez mais fraco, e já nesse momento mal ouço a sua voz. Já quase não sinto ele. Só espero que ele herde minha desgraça e meu gelo. Espero que ele enlouquea de sofrimento. Porque existem poucas coisas que eu sinto, e poucas que me fazem bem, e eu preciso cultivá-las e valorizá-las.

O tempo começa e termina agora, e agora, e agora. E esses são os meus segundos.

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